11 de fevereiro - Dia Internacional das Mulheres e Meninas nas Ciências

No dia 11 de fevereiro, é celebrado o dia Internacional das Mulheres e Meninas nas Ciências.

Dados da ONU e ONESCO apontam que as mulheres representam menos de 30% dos pesquisadores no mundo todo.

Parabéns à todas as mulheres e meninas que fazem ciência, rompem barreiras e estigmas em suas trajetórias e abrem os caminhos antes inacessíveis para outras mulheres, e dessa forma pouco a pouco, vão mudando o cenário em que as mulheres são minoria. 

Fizemos algumas perguntas à Lucia Helena, uma das principais pesquisadores sobre Economia Circular e Resíduos Eletrônicos do Brasil, sobre a representação das mulheres na Ciência. Confira abaixo! 

 

Como o machismo se manifesta no seu ambiente de trabalho? Existem exemplos específicos de situações em que você teve que lidar com preconceitos de gênero?

Na área acadêmica não percebo o machismo com tanta intensidade como em outros segmentos do mercado de trabalho. No entanto, na área de STEM (Science, technology, engineering and mathematics), na qual atuo, é preponderante a presença de homens e não de mulheres. Certamente já passei por situações que exigiram um posicionamento, mas foi exceção e não regra. Fico muito feliz em saber da evolução de programas como Meninas e Mulheres na Ciência, estimulado por entidades de fomento científico, como o CNPq.



Você já percebeu mudanças ou avanços em relação à igualdade de gênero ao longo do tempo no campo da Economia Circular e Gestão de Resíduos Eletrônicos? Quais são os desafios persistentes que ainda precisam ser superados para alcançar uma representação mais equitativa neste setor?

Para analisar a igualdade de gênero no âmbito da gestão de resíduos e nas práticas de economia circular é importante pontuar que, conforme observações de estudo de campo, muitas mulheres atuam em cooperativas de catadores, enquanto os homens são a maioria nas ruas, atuando de forma individual na catação de material reciclável. No entanto, os resíduos eletrônicos são coletados por meio da logística reversa e, por isso, seguem um percurso diferente e exigem processos para a destinação adequada. Por isso, a questão da igualdade de gênero na gestão dos resíduos eletrônicos, considerando-se as atividades de processamento, parece enfrentar os mesmos desafios verificados em outras posições do emprego formal, como menores rendimentos, posições de menor complexidade ou hierarquia e falta de qualificação para trabalhadores do sexo feminino. Desta forma, os desafios seguem sendo os mesmos, oportunidades de escolaridade para os filhos, mecanismos de flexibilização de horário para capacitação e para o desempenho das atividades laborais, bem como oportunidades igualitárias para a progressão funcional. Por outro lado, em relação à escassez de mulheres em STEM, a consolidação de programas e investimentos voltados para o público feminino pode resultar em oportunidades mais igualitárias no setor.



Quais iniciativas ou práticas você considera essenciais para promover a igualdade de gênero neste setor?

Ressalto a importância de investimento em programas (longo prazo) e investimentos de ordem financeira para a igualdade de gênero no setor. Como exemplo, os programas de incentivo à formação continuada, aprimoramento de processos de recuperação e incentivos por meio de reconhecimento das ações bem-sucedidas a partir da atuação de mulheres.

 

Como você percebe a representação das mulheres no meio acadêmico no campo da Economia Circular e Gestão de Resíduos Eletrônicos? Existem desafios específicos que as mulheres enfrentam neste setor? Quais outras pesquisadoras deste campo você gostaria de compartilhar?

No campo da economia circular e gestão de resíduos eletrônicos percebo internacionalmente um número maior de iniciativas coordenadas por homens em diferentes áreas. No Brasil, ainda somos poucos pesquisadores, mas verifica-se uma atuação diferenciada por nichos de atuação, com uma relativa igualdade entre os gêneros. A título de exemplo de atuação no setor, destaco as pesquisadoras Denise Espinosa (USP), Elen Pacheco (UFRJ), Tereza Cavalho (USP), Neuci Bicov (USP), Gisele Chaves e Franciele Cunico (UFSC), Patrícia Guarnieri (UnB), Luciana Yamane (UFES), Elisângela Rocha (UFPB), Nádia Franz (UTFPR) e Luiza Cirne (UFCG).